Terça-feira, 9 de Julho de 2013

A jibóia

 

Como já anteriormente referi, o pessoal da CART 2731 esteve envolvido na abertura de uma estrada militar entre Santa Cruz de Macocola e a picada que ligava Quimbele a Quicua, passando pelo célebre "Morro do Recúo". A nossa missão era dar protecção à Companhia de Engenharia responsável pelos trabalhos. Dias difíceis aqueles.

 

Na mata, quase virgem, encontravamos uma enorme variedade de animais selvagens e insectos, desde elefentes, leões, pacaças, veados, gazelas, cobras, macacos, escorpiões, enxames de abelhas, borboletas, mosquitos, só para citar alguns.

 

Porventura, os mais pequenos eram os que mais nos incomodavam. Para a abertura da estrada havia necessidade de derrubar árvores de grande porte e quando isso acontecia, levantavam-se nuvens de mosquitos que pousavam em tudo o que era sítio. Não é que picassem muito, mas eram aos milhares e muito incomodativos. O repelente de nada servia e parece que ainda os atraia mais. Com temperaturas a rondarem os 40 graus centígrados e aquelas pragas a colarem-se os nossos corpos, completamente enchardos de suor, era um sofrimento horrível.

 

Não é sobre este tema que quero escrever, mas foi apenas uma pequena descrição, para quem não conhece a selva africana, para saberem como eram passados os nossos dias na mata. O assunto é uma jibóia que, quando nos dirigíamos à frente de trabalhos, avistámos estendida no meio da picada, provavelmente a fazer a digestão da caçada que deve ter efectuado durante a noite anterior. O réptil, que vemos na fotografia, que nos foi cedida pelo ex-combatente José Firmino Leão, foi presenteado com vinte e tal tiros na pele e foi furada de tal forma que nem serviu para sapatos ou malas de senhora, como era moda na altura.

 

Apesar desta morte infeliz, a desgraçada acabou por ser a jibóia mais famosa da zona, pois quando chegamos ao destacamento com o bicho, foi alvo de uma sessão fotográfica semelhante ao de uma qualquer misse. Poucos foram os militares da CART 2731 que não tiraram uma foto com a jibóia, que ainda hoje, passados mais de quarenta anos, tem honras de internet.

 

Mas se teve uma morte infeliz o seu fim foi ainda mais trágico. Depois da sessão fotográfica, foi esfolada e acabou grelhada numa braseira e comida por meia dúzia de nativos da CART 2731 e da Companhia de Engenharia. Dizem os nativos que jibóia grelhada é um verdadeiro manjar. Eu não provei, mas pelo aspecto e pelo aroma que exalava parecia estar divinal.

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publicado por Franquelino Santos às 22:40
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