Sábado, 3 de Setembro de 2011

Luanda

No dia 27 de Abril de 1971, depois de ter saído de serviço, dirigi-me à Secretaria do Depósito Geral de Adidos, para tentar saber onde estava colocada a CART 2731 e como podia lá chegar. Informaram-me que não sabiam mas iam averiguar, pelo que deveria passar por ali no dia seguinte.

 

Durante uma semana a resposta foi sempre a mesma. Nesse período, fiquei instalado na Messe de Sargentos, na Avenida dos Combatentes, mesmo junto ao BO (Bairro Operário, conhecido por quase todos os militares que passaram por Luanda – era ali que costumavam ir desenferrujar o martelo, mudar o óleo ou dar uma cambalhota, terminologias mais usadas para denominar o acto). 

 

Os dias estavam livres, apenas tinha a obrigação de apresentar-me diariamante na sacretaria do Depósito Geral de Adidos para saber se já tinham localizado a CART 2731. Por isso, aqueles dias deram para conhecer um pouco de Luanda. Era uma cidade moderna, maravilhosa, cheia de vida, diurna e nocturna. Ninguém diria que era a capital de uma província que estava em guerra. 

 

A cervejaria Portugália e a cervejaria Amazonas foram dois locais onde passei algumas horas a matar a sede e a degostar os saborosos camarões que nos ofereciam para acompanhar as imperiais. Fiquei a conhecer o mercado Maria da Fonte, hoje chamado Kinaxixe, e o restaurante A Floresta, que existia próximo, onde as refeições podiam ser acompanhadas por um excelente vinho verde à pressão. Fui, ainda, até à Restinga onde saboriei excelentes lagostas a um preço irrisório. Conheci a avenida Paulo Dias de Novais ou Marginal como era mais vulgarmente chamada, que ficou para sempre na minha retina devido à sua beleza.

 

Com todos aqueles atractivos, os dias passaram-se velozmente. No dia 2 de Maio de 1971, informaram-me na secretaria do Depósito Geral de Adidos que a CART 2731 estava colocada no Leste de Angola. Assim, devia seguir para Nova Lisboa e apresentar-me no quartel daquela cidade, onde me seriam fornecidas mais informações. Deram-me também um bilhete para o machimbombo (o nome dado em Angola aos autocarros) e no dia seguinte, logo de manhãzinha, lá parti em direcção a Nova Lisboa, hoje Huambo.

publicado por Franquelino Santos às 11:47
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