Sábado, 17 de Setembro de 2011

Nova Lisboa

 

Cheguei a Nova Lisboa (actualmente Huambo) já ao fim da tarde, pelo que a minha primeira preocupação foi arranjar alojamento.

 

Como não conhecia a cidade, aguardei junto à estação dos CFB, cerca de uma hora, que aparecesse um táxi. Espera em vão, ou não havia táxis ou era uma raridade por aquelas paragens.

 

Sem outro meio de transporte, a única solução era ir a pé à procura de alojamento. Havia, contudo, um problema. As malas de que me fazia acompanhar eram demasiado pesadas para as poder transportar e não havia onde as guardar.

 

Mais uma vez, tive de recorrer à lei do desenrascanço. Deixei uma mala para trás e fui colocar a outra cerca de 100 metros mais à frente, sempre com a vista na mala que ficou para trás, não fosse, como diz o ditado popular, o diabo tecê-las. Percorrido esse espaço, coloquei a mala que transportava no chão e voltei a trás para recolher a outra. Voltei a repetir a operação cerca de uma dúzia de vezes, até que, sensivelmente a meio da avenida da estação dos CFB, encontrei uma residencial, se a memória não me atraiçoa, a residencial Porto, onde fiquei alojado durante uma semana.

 

Na manhã do dia seguinte dirigi-me ao quartel de Nova Lisboa e a resposta foi a mesma que me foi dada no Depósito Geral de Adidos, em Luanda, que iam tentar saber onde estava colocada a CART 2731 e que passasse por ali no dia seguinte para saber mais alguma coisa. Esta lengalenga manteve-se diariamente durante uma semana até que, em 10 de Maio de 1971, resolveram "despachar-me" para a ZML (Zona Militar Leste), no Luso.

 

Convém referir que em Nova Lisboa nunca me puseram de serviço, fiquei com os dias totalmente livres. Assim, aproveitei a oportunidade para conhecer a cidade, que era pequena, mas muito simpática e tranquila. O seu clima assemelhava-se muito ao da Metrópole (Portugal).

 

Recordo-me que num desses passeios matinais, quase em frente da residencial onde estava hospedado, encontrei um miúdo, que não teria mais do que 5 anos, sozinho, a chorar. Abordei-o, perguntei-lhe porque chorava e disse-me que tinha perdido a mãe. Perguntei-lhe então se ele sabia onde morava e se queria que eu o levasse a casa. Disse-me que sim. Lá o acompanhei, seguindo as suas indicações, e passado pouco mais de meia hora estava a entregá-lo a uma tia, uma vez que a mãe ainda não tinha chegado a casa, uma vivenda na periferia da cidade. Tinha feito uma boa acção naquele dia, resolvendo o problema da criança, mas penso que aquela mãe terá tido um enorme susto.

 

E, como já anteriormente referi, no dia 10 de Maio de 1971, bastante cedo, lá estava eu na estação do CFB para seguir viagem para o Luso.

publicado por Franquelino Santos às 19:47
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