Sábado, 29 de Outubro de 2011

Os primeiros tiros

 

Quando iniciei a viagem no MVL para o Luvuei e vi todo aquele aparato militar, pensei de imediato que ia ficar envolvido numa guerra a sério e veio-me à memória a conversa que tinha tido com o “velhinho” em Luanda, no Depósito Geral de Adidos, muitas minas nas picadas, quase todos os dias emboscadas, mortos, feridos, entre outros problemas.

 

Durante as longas horas que durou a viagem, a todo o momento esperava ouvir o rebentamento de uma mina ou o desencadear de uma emboscada. Felizmente tudo decorreu sem incidentes.

 

Cheguei ao Luvuei ao fim da tarde do dia 25 de Maio de 1971. A imensidão da selva, o arame farpado à volta do quartel, os postos de vigia, a mata envolvente, os quimbos onde, à excepção de três ou quatro brancos, só havia pessoas de cor, tudo isso me transmitiu um grande sentimento de insegurança.

 

Depois das apresentações, distribuíram-me o meu armamento (espingarda G3, cinco carregadores com munições, faca de mato e cantil para água). Seguiu-se o jantar e, por volta das 10 horas, a ida para a cama.

 

Dormíamos numa camarata construída em tijolo, com telhado de zinco. Cada um tinha pendurado nos pés da cama o seu material bélico (espingarda G3, cinturão com carregadores, granadas defensivas e ofensivas). Pensei para mim, isto é mesmo guerra a sério.

 

Pouco passava da meia-noite, os meus camaradas dormiam profundamente e eu ainda não tinha conseguido adormecer. De repente, ouvi três ou quatro tiros a pouca distância do quartel e pensei aí está o primeiro ataque. Acordei os meus camaradas aos gritos estão a atacar, estão a atacar. Não nos chateies maçarico, deixa-nos dormir, isso é algum maluco que anda por aí à caça, foi a resposta que me deram.

 

O nosso quartel era o único que existia naquela zona, o mais próximo ficava a mais de 60 quilómetros de distância. Os tiros não tinham sido disparados pela nossa tropa. Também era improvável que um civil fosse para a mata caçar àquela hora. Por isso, eles (o inimigo) andavam por perto.

publicado por Franquelino Santos às 16:22
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