Sábado, 3 de Dezembro de 2011

Santa Cruz de Macocola

 

Quando a CART 2731 foi colocada em Ambriz, julgávamos que estavam reunidas as condições para passarmos um fim de comissão em beleza. Porém, depressa concluímos que estávamos enganados.

 

A CART 2731 tinha o estatuto de companhia de intervenção e, ainda não tinham decorridos três meses desde a sua colocação no Ambriz, foi encarregada para dar protecção a uma companhia de engenharia que estava a abrir uma picada na zona de Santa Cruz de Macocola.

 

Santa Cruz é um município da província de Uíge. Actualmente designada por Milunga, também era conhecida por Santa Cruz de Macocola, para a diferenciar de outras aldeias ou vilas portuguesas com o mesmo nome, tais como Santa Cruz das Flores, Santa Cruz da Graciosa, Santa Cruz do Bispo, Santa Cruz do Douro, etc.

 

Fundada na década de 1950-1960, era a vila mais pequena de Angola. Tinha apenas uma rua central, em terra batida, com pouco mais de quinhentos metros de comprimento. Existiam cerca de meia dúzia de casas comerciais, o edifício da Administração e o resto eram casas de habitação, quase todas construídas em barro. Ao lado esquerdo de quem entra em Santa Cruz, vindo de Macocola, encontrava-se uma área de terreno desmatado, a que chamávamos "pista de aviação".

 

 

Aquando da eclosão da guerra, em Março de 1961, Santa Cruz esteve cercada durante cerca de quatro meses, sendo o seu principal problema o abastecimento de água. Como a canalização que existia foi destruída, o abastecimento era feito no rio, a cerca de um quilómetro da vila. Nessa altura, os víveres para a população eram lançados através de pára-quedas, indo cair muitas vezes no meio dos guerrilheiros inimigos, que cercavam a vila.

 

 

O cerco, a que se refere Reis Ventura, no capítulo Rondas da Milícia, do seu livro Sangue no Capim, acabou quando, em Julho de 1961, a tropa portuguesa chegou àquela localidade.

 

 

Curiosamente um desses militares era o Marcelino Maia Valério, que 10 anos depois regressou a esta vila integrado na CART 2731, como 1º sargento.

 

Seguem-se 3 fotografias gentilmente cedidas pelo ex-combatente José Cordeiro dos Santos, que prestou serviço em Santa Cruz de Macocola nos anos 1962/1963.

00-1962 N (11).JPG

Santa Cruz_Angola 1962.jpg

 

00-1962 N (20).JPG

 

publicado por Franquelino Santos às 12:00
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5 comentários:
De José Santos a 18 de Abril de 2017 às 15:42
Também estive em Santa Cruz de macocola durante os primeiros 4 meses de 1962- Tenho uma fotos de umas meninas que gostaria de encontrar hoje para lhas envias. As duas Irmãs devem ter hoje cerca de 60 (sessenta anos).
De Franquelino Santos a 20 de Abril de 2017 às 16:20
Obrigado pelo seu comentário. Curiosamente também eu me chamo José (Franquelino) Santos. Estive em Santa Cruz nove anos mais tarde, mas antes estive no Luvuei, leste de Angola, onde conheci duas meninas com pouco mais de 5 anos, que voltei a reencontrar cerca de quarenta anos depois, através da internet. Se tiver interesse em conhecer a estória pode consultar o site http://cart2731.pt/ e clicar no separador do lado direito em "Amigos de Angola"/"Família Mariz".
Abraço
De José Cordeiro dos Santos a 20 de Abril de 2017 às 16:56
Caro Combatente José Franquelino Santos, vou tentar enviar-lhes a fotos das duas meninas a que me referi no meu anterior comentário sobre Santa Cruz. Eram filhas de um comerciante local. Na ocasião haviam cerca de 6 a sete casa, incluindo enfermaria e alojamento das praças. Comerciante presuma que eram dois.
Não1 Afinal não consigo fazer o download das fotos com as tres, não duas como eu pensava.
Abraço a todos os combatentes deste grupo.
Cordeiro dos Santos
De Alvaro Oliveira a 30 de Abril de 2017 às 15:10
Amigo José como estive varios anos em Santa Cruz as duas meninas eram as filhas do Sr ferreira eu morava mesmo ao lado da casa delas eu também gostava de saber alguma coisa delas, quanto a comerciantes eram mais, aqui vão alguns dos nomes o Sr Poças, Sr Ferreira, o Coelho que é meu cunhado o Sr Garcia que era meu pai, o Lopes que tinha a fazenda perto do morro do recuo o Arrobas assim como o irmão do Sr ferreira também tinha uma loja, um abraço a todos os militares que por lá passaram um muito obrigado a todos e um forte abraço.
De Cosé C. Santos a 30 de Abril de 2017 às 20:11
Caro Sr. Framquelino Santos,
Antes do mais os meus agradecimento pelo facto de ter respondido e me recordar alguns dos nomes de comerciantes em Santa Cruz. Agora faz sentido, embora já tenham passado 54 anos. Gostava de lhe enviar fotos que tenho daquele tempo. Afinal não eram duas meninas, mas sim três. Tenho uma foto com as então, três meninas com mais dois meus colegas de Pelotão. Tenho também algumas fotos com funcionários da Fazenda , não me recordo como se chamava a fazenda, sei que ficava à direita logo à saída de Santa Cruz. Boas recordações, boa gente, boa camaradagem. Estive em Santa Cruz todo o segundo trimestre de 1963. envie-me o seu e-mail, pois eu terei muito gosto em lhe enviar as fotos em suporte eletrónico. Presumo que tenha acesso ao meu mail, caso no! Aqui vai: josé.cor.santos.0@gmail.com.

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