Sábado, 10 de Setembro de 2011

O machimbombo

 

Em Angola, ao autocarro chamavam machimbombo e ao piripiri gindungo. Até havia quem, por graça, dissesse que já tinha comido machimbombo e andado de gindungo.

 

No dia 3 de Maio de 1971, por volta das seis horas da manhã, lá estava eu na estação dos machimbombos, em Luanda, a fim de seguir viagem para Nova Lisboa.

 

Transportava duas enormes malas, onde guardava todos os meus haveres (roupa civil, roupa militar, calçado, artigos de higiene, etc) que considerei necessários para utilizar durante os dois anos de comissão. Mais tarde, cheguei à conclusão que grande parte daquele equipamento, principalmente roupa civil (até de fatos, camisas de manga comprida e gravatas me fiz acompanhar), não me iria servir para nada. Mas, como diz o ditado, quem vai para o mar avia-se em terra e eu não sabia o que ia encontrar em África.

 

O machimbombo partiu à hora marcada e, por volta das 6h30m da manhã, iniciámos a viagem de cerca de 500 quilómetros, que demorou quase todo o dia a percorrer, com paragens em todos os lugarejos que iam surgindo no percurso. Sempre que havia uma paragem, juntava-se uma pequena multidão de vendedores à volta do autocarro a tentar vender os seus produtos (especialmente frutos tropicais, tais como bananas, ananases, papaias, mamões, abacates, etc.) aos passageiros.

 

Os passageiros, para além de mim, eram todos africanos. Transportavam as mais variadas espécies de mercadorias dentro do veículo. Alguns até transportavam galinhas vivas, que não pararam de chilrear durante toda a viagem. Por outro lado, algumas crianças de tenra idade, devido ao cansaço ou talvez à fome, choravam em altos berros. Foi uma viagem para esquecer.

 

O ambiente pesado no autocarro, contrastava com as belezas naturais que ia encontrando e que proporcionavam paisagens espectaculares. Vi árvores tropicais de grande porte que eu nunca tinha visto, como por exemplo o embondeiro. Vi, ainda, vários animais selvagens, nas bermas das estradas, que assistiam impávidos à passagem do machimbombo.

 

Finalmente, depois de quase dez horas de viagem, cheguei a Nova Lisboa, tendo o machimbombo estacionado junto à estação dos CFB (Caminhos de Ferro de Benguela).

publicado por Franquelino Santos às 17:24
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