Sábado, 26 de Maio de 2012

O aniversário do "Baixinho"

 

O senhor Lima era um dos poucos civis que vivia, com a sua esposa, na zona de Cabo Ledo, a pouco mais de duzentos metros de distância do nosso Destacamento. Era um brasileiro, muito simpático, responsável pelos poços de petróleo da Petrangol, na localidade de Tobias, que se situava a cerca de dois ou três quilómetros da sua residência.

 

Devido à sua baixa estatura, era carinhosamente tratado por "Baixinho". Era presença assídua nas nossas festas, e qualquer pretexto servia para organizar uma, que na prática consistia num almoço ou num jantar bem regados. Retribuia-nos sempre na mesma moeda.

 

Num certo dia do ano de 1972, cuja data já não posso precisar, o pretexto para festa foi o aniversário do "Baixinho". Os alferes e os furrieis do Destacamento foram convidados pelo casal para comemorar condignamente a data. Seríamos ao todo 8 ou 9 pessoas.

 

A festa consistiu num piquenique na relva, à beira da piscina, junto à residência do casal. A ementa foi variada, desde lagosta ao frango no churrasco, bem condimentado com gindungo. Bebeu-se de tudo menos água. Whisky, gin, cerveja, vinho, entre outras bebidas, não faltaram.

 

Algumas horas depois, quando já todos estavam mais ou menos alegres, o aniversariante lembrou-se de fazer uma aposta. Quem saltasse da prancha, que teria cerca de três metros de altura, para a piscina ganharia um grade de nocais (cerveja). Como estavámos vestidos com roupa normal, embora estivéssemos já um bocado cacimbados, ninguém teve a tentação de ganhar a aposta.

 

O "Baixinho", vendo que ninguém reagiu à sua proposta disse ai vocês não querem ganhar a grade de cerveja? Então vou ganhá-la eu. De seguida, completamente vestido, subiu para a prancha e saltou para a piscina.

 

A esposa, muito aflita, começou a gritar tirem-me o homem da piscina que vai morrer afogado, ele não sabe nadar. Ainda pensámos que era brincadeira, mas logo verificámos que a senhora estava a falar a sério. E lá fomos nós completamente vestidos para o banho.

 

Tirámos o homem, que bebeu uns bons golos de água, da piscina e a sua primeira reacção foi dizer ganhei uma grade de cerveja, enquanto não a bebermos a festa não pode acabar. Lá tivemos de fazer um sacrifício e cumprir a vontade do aniversariante. Já não sei o que se seguiu às cervejas, apenas me recordo que a festa continuou pela noite dentro. Era assim que íamos conseguindo mitiguar um pouco as saudades que sentíamos dos nossos familiares e das nossas terras.

publicado por Franquelino Santos às 11:15
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Sábado, 19 de Maio de 2012

As quitetas

 

Em Angola eram conhecidas por quitetas, em Lisboa por cadelinhas e no Algarve por conquilhas. Independentemente do nome que se lhes dê, trata-se de um bivalve muito apreciado na nossa culinária, que serve para confeccionar os mais variados pratos e petiscos. Há, inclusivamente, restaurantes e cervejarias que associam o seu nome a este bivalve. Estou a recordar-me, por exemplo, do famoso "Eduardo das Conquilhas", junto à estação de comboios da Parede, na linha Lisboa - Cascais

 

 

Em quase todas as praias da zona de Cabo Ledo, havia quitetas em abundância, talvez até por se tratarem de praias que só eram visitadas quase exclusivamente por militares, uma vez que o acesso ao parque nacional da Quissama era restrito e, na altura, a população (nativos) nesses locais era muito reduzida.

 

A cerca de uma dezena de quilómetros a sul de Cabo Ledo, existia uma praia deserta, a praia do Minguéis, particularmente rica naquela espécie, em que a abundância era tanta que em cerca de meia hora quatro ou cinco pessoas conseguiam apanhar com facilidade mais de 50 quilos de quitetas.

  

Na altura, como desempenhava a função de vagomestre, pensei dar uma refeição diferente ao pessoal (arroz de lagosta com quitetas). Resolvi, por isso, fazer uma visita àquela praia com objectivo de apanhar as quitetas. As lagostas seriam apanhadas pelos nossos pescadores (três ou 4 reclusos que na vida civil já se dedicavam a essa arte) que capturavam diariamente cerca de 30 quilos dos referidos crustáceos.

 

 

 

Acompanhado pelo furriel Rego, pelo sargento Piedade e por mais três ou quatro soldados, cujos nomes já não consigo recordar, deslocámo-nos num unimog à referida praia e começámos a apanhar as quitetas. O mar estava muito ondulado, com ondas de ressaca, ou seja as ondas rebentavam na praia e a água ao escorrer novamente para o mar formava uma onda em sentido contrário. No local da rebentação das ondas já não havia pé. Isso não era impedimento para apanhar as quitetas, mas para tomar banho era preciso muita precaução, porque o mar naquele estado é muito perigoso. É fácil entrar na água e permanecer na ondulação, mas é difícil sair, por causa da onda em sentido contrário. Todos nos dedicámos à apanha das quitetas, à excepção do furriel Rego, que entendeu ir tomar banho. Andava feliz ao sabor da ondulação e gritava para nós "bom mar... bom mar..."

 

Nós lá continuámos a nossa tarefa, enquanto o furriel Rego se deliciava com aquelas ondas. Teríamos apanhado já cerca de 50 quilos de quitetas, quando verificámos que o furriel nos fazia insistentemente sinais e de vez em quando mergulhava. A princípio pensámos que estava na brincadeira, mas rapidamente nos apercebemos que estava em dificuldades.

 

Nadámos imediatamente para junto dele para lhe dar uma ajuda e tentámos encorajá-lo, aconselhando-o a manter-se sereno e nadar calmanente para terra. Quando estávamos a 4 ou 5 metros da areia vinha a contra-onda e arrastáva-nos novamente para mais longe. Fizémos várias tentativas sempre com o mesmo resultado. Era uma luta inglória, alguns também já começavam a apresentar sinais de cansaço e de desepero. Com o mar naquele estado a única forma de sair dali era mergulhar por debaixo da contra-onda, mas o Rego já não tinha discernimento para isso. Assim, pouco ou nada podíamos fazer, a única forma de o trazer para a areia seria estender-lhe uma corda ou uma tábua a que ele se agarrasse e puxá-lo para terra.

 

Pedi aos meus camaradas que se mantivessem junto do Rego, tentanto mantê-lo calmo, sem deixar que ele os agarrasse, porque isso seria muito perigoso, que eu iria a terra tentar arranjar qualquer coisa que nos ajudasse. Contudo, quando nadei para terra, o furriel disse aos restantes que me acompanhassem, porque ele já não iria conseguir sair dali, a pouco mais de 10 metros da areia, tão próximo e tão longe e nós impotentes sem o poder ajudar. E, talvez por já estarem muito cansados, assim o fizeram, deixando o Rego sózinho. Foram momentos dramáticos, que nunca mais conseguirei esquecer.

 

No unimog não tínhamos nenhum material que nos pudesse ajudar, a mata estava ali a meia dúzia de metros, mas era impossível arranjar um tronco ou um ramo de uma árvore, porque não tinhamos forma de os cortar. Foram minutos de desespero, mas finalmente encontrámos uma tábua com pouco mais de um metro, que terá caído de algum barco e deu à costa naquele local. Naquelas praias, que eram praticamente virgens, havia sempre muitos destroços que davam à costa e se acumulavam no fim da areia, junto da orla da mata.

 

Peguei naquela tábua, nadei para junto do Rego e estendi-lha. Ele agarrou-a freneticamente numa extremidade e nunca mais a largou. Nadei, com alguma dificuldade, para a praia, pegando na outra extremidade da tábua, e consegui chegar à zona de rebentação das ondas, onde nos esperavam os restantes camaradas, que tinham formado um cordão humano, e nos conseguiram arrastar para a areia. O Rego bebeu alguns litros de água salgada, eu também a provei, mas o pior tinha passado, e tudo tinha acabado em bem. Nunca mais fomos às quitetas.

 

Já na areia, o Rego confidenciou-me que, quando ficou sózinho, pensou que aquele seria o último dia da sua vida e que o primeiro pensamento que lhe veio à cabeça foi: já não vejo mais a minha mãezinha. De seguida, pegou na faca de mato, cortou um bocado daquela madeira e disse: vou gravar aqui o teu nome e a data e isto há-de acompanhar-me até ao fim da minha vida.

 

As nossas comissões de serviço terminaram, regressámos às nossas casas e cada um seguiu o seu caminho. Já na vida civil fiz várias tentativas para localizar o meu amigo Rego, sempre sem sucesso. Passados cerca de 36 anos, por mero acaso, através de um meu amigo consegui finalmente localizá-lo. Vive em São Gemil, numa sossegada e bonita aldeia de Trás-os-Montes, a cerca de dois quilómetros de Carrazedo de Montenegro, com a sua mãe, uma senhora muito amorosa e muito simpática, que já tive o prazer de conhecer.

 

 

Já o visitei várias vezes, a última das quais em Agosto de 2011. Em ambas as visitas recordou, com nostalgia, o epísódio das quitetas e ainda hoje guarda religiosamente o tal bocado da tábua salvadora.

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publicado por Franquelino Santos às 09:12
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Domingo, 13 de Maio de 2012

Visitas em Cabo Ledo

O acesso ao Parque Nacional da Quissama era controlado pela Guarda-Florestal. Apenas as viaturas militares tinham livre acesso. As viaturas civis necessitavam de uma licença especial e eram impostas algumas restrições aos respectivos condutores, nomeadamente não serem portadores de armas.

 

Por isso, uma das formas que os civis tinham para melhor conhecer aquele parque era conseguir uma boleia numa viatura militar, através de um militar conhecido que fosse para Cabo Ledo. O civil apenas era identificado pela Guarda-Florestal, tendo somente de declarar a hora previsível de regresso.

 

A partir de Cabo Ledo organizavam-se verdadeiros safaris, onde podiam serem vistos vários animais, em estado selvagem, tais como elefantes, leões, zebras, gnus, pacaças, antílopes, veados, palancas vermelhas, palancas negras, manatins, avestruzes, entre outros.

 

A travessia do rio Cuanza era efectuada em jangadas, feitas com vários bidões vazios de combustível, em cima dos quais era fixado um estrado de madeira. A este estrado era fixado um motor que fazia deslocar a jangada. Era neste meio de transporte que pessoas e viaturas atravessavam o rio. Como a jangada não tinha horário regular para efectuar a travessia, os passageiros tinham que combinar com o jangadeiro a hora do seu regresso para que este os fosse buscar à hora marcada.

 

O destacamento de Cabo Ledo era uma autêntica estância de férias, muito procurada. Tínhamos visitas quase diariamente, quer de militares, quer de civis. Eram militares que estavam de férias e aproveitavam para ir descansar ali uns dias, eram altas patentes militares que, acompanhados das suas famílias, iam passar lá o fim-de-semana, eram ainda familiares dos militares que ali estavam colocados que os iam visitar. Até umas senhoras do MNF – Movimento Nacional Feminino aproveitaram para ir passar ali um fim-de-semana à borla, alegando que iam apoiar-nos psicologicamente (como se alguém acreditasse nessa treta).

 

Aliás, o nosso destacamento tinha excelentes condições para receber essas visitas, uma vez que os reclusos, por ordem do Comandante da Casa da Reclusão, construíram ali meia dúzia de pequenos apartamentos para esse fim. Para ali pernoitar as visitas tinham que vir recomendadas por aquele Comandante. Se pagavam estadia não sei, mas isso também era uma questão que pouco me importava.

 

 

 

As visitas almoçavam e/ou jantavam na messe de sargentos. Eu normalmente deslocava-me para a messe de burro, o que aconteceu aquando da visita das senhoras do MNF, acompanhadas de altas patentes militares. Quando cheguei estacionei o meu meio de transporte, junto à messe, atado por uma corda ao pé de uma mangueira, não fosse o animal lembrar-se de ir dar uma volta e forçar-me a fazer o regresso para o destacamento a pé.

 

Uma das senhoras do MNF achou muita graça ao meu meio de transporte e resolveu levantar-se da mesa e ir obsequiar o coitado do animal com um pão, tipo casqueiro alentejano, até porque não foi ela que o pagou. A melhor forma que o burro encontrou de agradecer a oferta foi levantar o seu enorme trólei bater com ele duas vezes na barriga e ao mesmo tempo largar dois sonoros traques. Houve gargalhada geral, a tal senhora ficou vermelha como um piripiri maduro e até ao final da refeição quase já não pronunciou palavra.

 

Durante o almoço, as tais senhoras manifestaram intenção de irem tomar banho, na parte da tarde, na praia de Cabo Ledo, que não conheciam. Fomos adiantando que a praia tinha uma paisagem de sonho, com águas sempre muito quentes, seria uma experiência que não mais esqueceriam.

 

 

Um dos nossos furriéis, o António Rego, sempre muito brincalhão e bem disposto, começou, no entanto, a dizer que havia um pequeno senão, é que de vez em quando apareciam ali pela praia alguns tubarões (nunca lá ninguém vi nenhum e não constava que existissem naquela zona) e na última vez que lá tinha ido foi atacado por um e só por milagre é que escapou. Quando o viu começou a nadar para a areia, o tubarão perseguiu-o durante vários metros e quando estava já quase a sair da água o bicho ainda lhe conseguiu dar uma dentada no pé e arrancar-lhe um dedo.

 

Ao mesmo tempo que contava a história pôs o pé em cima da ponta da mesa, começou a desatar a bota e dizia: vocês querem ver? As senhoras disseram-lhe que não valia a pena e que, pensando melhor, ficavam pela piscina, já que o tempo que tinham era pouco e a praia ficaria para outra vez. Também não quiseram ir dar uma volta de jipe pelo parque, porque achavam que os leões podiam ser perigosos.

 

O certo é que, felizmente, nunca mais voltei a ver as tais senhoras em Cabo Ledo.

publicado por Franquelino Santos às 13:20
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Domingo, 6 de Maio de 2012

Caldeirada de gazela

 

Na Quissama era proibido caçar e havia uma equipa de fiscais que percorria diariamente aquele parque para detectar e punir eventuais caçadores furtivos. Contudo, nós tinhamos alguma facilidade em prever as zonas por onde paravam os fiscais. Por coincidência, o seu chefe era irmão de um alferes que estava colocado no nosso destacamento.

 

Assim, de vez em quando, davamos uma voltinha à noite, nada de tiros para não denunciar a nossa localização, até porque bastava pouco mais de meia hora para uma gazela ou duas virem chocar contra o nosso jipe, nem que para isso fosse necessário sair da picada e entrar com a viatura pelo capim adentro.

 

É obvio que a culpa era sempre do bicho que se colocava à frente da viatura e, uma vez atropelado, não o íamos deixar ali para repasto dos leões. Lá tínhamos de lhe dar boleia e sermos nós a fazer o petisco.

 

No dia seguinte, lá íamos convidar alguns civis para o repasto. O Lima e o Campos eram sempre convidados, mas este último normalmente era mais exigente: só aceitava o convite se o fossemos buscar à sua casa, que ficava na praia do Sangano, a cerca de 20 quilómetros de distância, de Cabo Ledo, que tinham de ser percorridos por estrada de terra batida, designada em África por picada, e o fossemos lá pôr novamente no fim do petisco.

 

Claro que isso não constituía qualquer problema. As viaturas eram da tropa e não éramos nós que pagávamos o combustível.

 

 

 

A caldeirada de gazela era magistralmente confeccionada pelo nosso cozinheiro da messe e bem condimentada com gindungo (piripiri muito picante, característico de África), de tal forma que a cada garfada o copo de vinho tinha que ir à boca para acalmar o efeito do picante. Estes petiscos (almoços) prolongavam-se quase sempre até à hora do jantar e repetiam-se, por regra, uma vez por semana.

 

Como a família Mota Veiga tinha muitos rebanhos de gado ovino e caprino naquela zona, sendo o nosso amigo Campos o Gerente da pecuária, lembrámo-nos que, uma vez por outra, para variar, até seria bom trocar a gazela por um cabrito. Mas o convite aos nossos amigos continuava a ser sempre para a caldeirada de gazela.

 

Nas vezes em que optávamos pelo cabrito, no dia anterior, quase ao fim do dia, quando já não era dia mas também ainda não era noite e a visão já era muito reduzida, eu e outro furriel pegavamos no jipe e íamos à procura de um rebanho. Estacionávamos junto ao rebanho e enquanto um de nós ia ter com os pastores, perguntando-lhes se os leões costumavam atacar os rebanhos, se comiam muitas cabeças de gado, enfim, como se costuma dizer, dando-lhes conversa da treta, para entreter, o outro que ficava no jipe fazia o trabalho. Escolhia o cabrito a abater, espetava-se-lhe a faca de mato no meio da cabeça e o pobre animal nem tinha tempo de mugir nem tugir. Era só carregar a peça no jipe e regressar à base. Os pastores não se apercebiam de nada.

 

No dia seguinte lá se fazia a festa e os nossos convidados nem se apercebiam que a gazela afinal era cabrito ou pelo menos fingiam que não se apercebiam.

 

Num desses petiscos em que a gazela era cabrito, após a refeição, passámos a noite a correr para a casa de banho, com um grande desarranjo intestinal.

 

Na manhã do dia seguinte, o Lima queixou-se-nos que lhe acontecera o mesmo e o Campos passou na parte da tarde pelo destacamento e disse-me:

 

Oh Santos quando quiser ir dar uma palmada nos cabritos, diga-me primeiro, para eu lhe dizer onde deve ir, porque aquele que foi buscar à duas noites atrás tinha sido vacinado naquele dia.

 

Enfim, o nosso amigo Campos já devia conhecer os efeitos secundários daquela vacina.

publicado por Franquelino Santos às 13:30
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